O "testamento" de Polan Lacki - Um privilegiado deseja retribuir algo do muito que recebeu da humanidade. E-mails: Polan.Lacki@uol.com.br  e  Polan.Lacki@onda.com.br 

 

 

Na América Latina os governos não têm a mais remota possibilidade de solucionar, pela via paternalista, todos os problemas de todos os agricultores e muito menos de repetir, ano após ano, as suas ajudas em favor dos mesmos beneficiários. Esta realidade é tão evidente que não pode continuar sendo ignorada, pois do contrário estaremos esparramando utopias efêmeras, em vez de semear soluções definitivas. Devido a esta restrição, se os governos querem enfrentar o subdesenvolvimento rural, com seriedade e não com demagogias, deverão proporcionar às famílias rurais as condições objetivas para que elas mesmas façam aquilo que o Estado não pôde, não pode e não poderá fazer por elas. Com tal fim, através de uma educação intencionalmente emancipadora de dependências, o poder público deverá proporcionar-lhes as competências (conhecimentos, habilidades, atitudes e valores) para que os próprios afetados pelos problemas queiram, saibam e possam  assumir uma crescente parcela de responsabilidade na correção das suas próprias ineficiências; porque são exatamente elas as principais causas dos problemas que ocorrem nas suas propriedades e comunidades. Essa educação emancipadora deverá permitir-lhes que desenvolvam uma agricultura eficiente e com menos paternalismo estatal, porque este, além de ineficaz, insuficiente e excludente, é prescindível. É prescindível, entre outras, pelas seguintes razões:

 

1. Os agricultores eficientes, sejam pequenos, médios ou grandes, estão demonstrando que o seu êxito econômico depende muito mais da sua própria competência que da eloqüência dos políticos ou da "generosidade" dos seus governos. As experiências bem-sucedidas na agricultura têm demonstrado que a decisão e a capacidade dos próprios agricultores (de querer e saber resolver seus problemas) é muito mais eficaz que a decisão política dos governos.

 

2. As causas mais profundas do subdesenvolvimento rural estão na inadequação dos conteúdos curriculares e na má qualidade do nosso  sistema de educação rural (escolas fundamentais rurais, escolas agrotécnicas, faculdades de ciências agrárias e serviços de extensão rural). Conseqüentemente, é lá, dentro do referido sistema e não fora dele, que é necessário aplicar as soluções correspondentes, proporcionando aos extensionistas e aos habitantes rurais uma educação emancipadora - e não perpetuadora - de dependências; uma educação orientada a formar corretores de ineficiências, solucionadores de problemas e sujeitos  (não objetos) do desenvolvimento rural; uma educação que proporcione conhecimentos úteis, que os próprios educandos possam aplicar na  solução, mais autônoma e autodependente, dos seus problemas cotidianos.

 

Esta proposta para um desenvolvimento mais endógeno já está descrita nos textos incluídos na seção "Artigos" da Página web  http//www.polanlacki.com.br  Nesses textos está demonstrado que a referida proposta, devido ao seu baixo custo e à sua facilidade de adoção, está ao alcance dos governos mais debilitados e dos agricultores mais empobrecidos. Aliás, ela foi elaborada com o deliberado propósito de demonstrar que "os pobres e os pequenos também podem", com a condição de que saibam aplicar de maneira correta soluções compatíveis com os recursos que eles realmente possuem.

 

No entanto, de pouco serve ter uma proposta desenhada se as pessoas para as quais ela foi elaborada desconhecem a sua existência e, conseqüentemente, não podem beneficiar-se da mesma. Alguém já afirmou que "o valor nutritivo de uma maçã é zero, a menos que ela seja comida". Para que "a maçã seja comida", é necessário ampliar e acelerar a difusão, melhoramento e adoção da proposta. Por esta razão, estou convidando-o a ser um ativo participante deste movimento emancipador da agricultura latino-americana. Junto com este convite, estou "doando" esta proposta ao senhor ou a qualquer instituição ou pessoa que deseje atuar como continuadora e melhoradora desta iniciativa. Esta "doação" é uma pequena retribuição que faço à humanidade pelo muito que dela recebi, dos seus agricultores, dos seus extensionistas, das escolas públicas nas quais estudei gratuitamente; também é uma retribuição pelo que recebi dos organismos públicos, nacionais e internacionais, que pagaram os meus salários durante 38 anos e me permitiram recolher essas experiências e redigir os textos incluídos na mencionada Página web. 

 

Considere que essa Página web e os artigos nela incluídos são seus, aproprie-se deles e utilize-os sem qualquer restrição. A partir desta mensagem, eles já não pertencem a Polan Lacki, e sim ao senhor e à humanidade, porque eu não estou interessado em defender, com atitudes egoístas, supostos "direitos de autor"; eu estou interessado, para não dizer  angustiado, em encontrar uma maneira, realista e eficaz, de ajudar a que os próprios habitantes rurais possam solucionar os seus problemas.

 

É profundamente lamentável que a tantos pobres rurais não se ofereça nem a oportunidade (através de uma educação de qualidade) para que eles possam sair da pobreza. São muitíssimos os que desejariam e poderiam fazê-lo. No entanto, não o fazem porque nós ainda não conseguimos que os conhecimentos - que eles tanto necessitam, que já estão disponíveis e que são adequados às suas necessidades - cheguem a eles. É por esta razão que espero receber do senhor uma acolhida favorável a esta solicitação de ajuda na difusão desta proposta.

 

Por antecipação, agradeço pela adoção de qualquer uma das medidas sugeridas no Anexo abaixo incluído. 

 

Saudações de 

 

Polan Lacki
Rua Bispo Dom José 2051, apto 706
Telefones: (041) 243-2366 e 96021239
80440-080  Curitiba - Paraná - Brasil

 

 

                                                       Anexo

 

Nesta breve lista, incluo algumas sugestões de possíveis ações de apoio a este movimento.

 

1. Circular este "Testamento" entre os colegas da sua instituição e os seus contatos externos à mesma.

2. Incluir a Página   http://www.polanlacki.com.br   nos LINKS da Página web da sua instituição.

3. Considerar a possibilidade e conveniência de organizar um evento destinado a analisar criticamente esta proposta. Caso tal evento seja organizado, eu me empenharei no sentido de participar dele; oxalá eu possa estar presente.

4. Enviar-me sugestões de medidas adicionais que juntos poderíamos adotar para que " a maçã seja comida" mais rapidamente e por uma maior quantidade de instituições e pessoas. 

5. Enviar-me endereços de e-mails de pessoas ou instituições que, na sua opinião, poderiam  ter interesse em receber os  artigos que respaldam tecnicamente um desenvolvimento rural com menos Estado, porém com melhor educação.